
Frutos vermelhos do café seduzem os povos
A história do café teve início em Kaffa, na Abissínia - hoje chamada Etiópia -, no continente africano. Apesar de já existir há aproximadamente mil anos, o primeiro registro comprovado da existência do café é do século XV. Tudo começou com um pastor chamado Kaldi, que percebeu que seus animais ficavam mais espertos e saltitantes ao comer folhas e cerejas (fruto vermelho do café) de uma certa planta. Então, o pastor passou também a consumir os frutos e de fato sentiu-se mais alegre e com maior vigor. A notícia não tardou a se espalhar e muitos outros moradores da região de Kaffa passaram a consumir os frutos do cafeeiro, através de infusões.
Um desses moradores foi um monge, que utilizava o café para resistir ao sono enquanto orava. Durante os séculos XV e XVI, o conhecimento sobre os efeitos da bebida se disseminou rapidamente e o café passou a ser consumido também no Oriente, onde foi torrado pela primeira vez, na Pérsia.
Os povos que iniciaram o cultivo da planta foram os árabes. Devido a esse fato, uma das espécies mais importantes de café tem como nome científico Coffea arabica. Porém, mesmo entre os povos árabes, a bebida foi considerada contrária às leis do Profeta Maomé. Essa resistência ao café foi logo vencida e até mesmo os doutores maometanos aderiram à bebida para auxiliar o processo digestivo e também para alegrar o espírito. O consumo da bebida tornou-se tão popular na Arábia que a infusão do café passou a ser chamada "Kahwah" ou "Cahue", que em árabe significa "força".
Após conquistar os povos do Oriente, o café foi levado à Europa, em 1675. Porém, como era considerada uma bebida maometana, foi rejeitada inicialmente pelos cristãos. Somente após o Papa Clemente VIII provar o café e "absolver" a bebida da culpa, o consumo foi liberado. O café passou a fazer parte definitiva dos hábitos europeus.
Diversas casas de café foram abertas e o consumo foi consagrado por nomes famosos como Rousseau, Voltaire, Richelieu, Johann Sebastian Bach, Diderot e outros pensadores, músicos e celebridades.
Até mesmo Napoleão Bonaparte, general e imperador da França de 1804 a 1815, foi um dos mais dedicados admiradores do café. Certa vez, disse: "Um café forte e abundante me deixa desperto e atento. O café me dá uma energia e calor, além de uma força incomum, uma dor que não ocorre sem prazer. Mas eu prefiro sofrer, do que ser um insensato e imbecil".
Os frutos vermelhos também seduziram os holandeses. E foi através da Holanda e de seu intenso comércio marítimo que o café chegou ao Novo Mundo, ou seja, à América. Os primeiros países a receberem o café foram as Guianas, Martinica, São Domingos, Porto Rico e Cuba.
Nenhum comentário:
Postar um comentário